22 fevereiro, 2010

Acelerador de Partículas gera maior temperatura da História

Cientistas criaram a temperatura mais alta da história em laboratório – 4 triliões de graus Celsius -, quente o suficiente para desintegrar a matéria e transformá-la no tipo de sopa que existiu milionésimos de segundos depois do nascimento do universo.

Eles usaram um acelerador de partículas gigante do Laboratório Nacional de Brookhaven, do Departamento de Energia dos Estados Unidos, em Nova York, para bater iões de ouro na produção de explosões ultra-quentes, que duraram apenas milésimos de segundos.

Isso, no entanto, foi suficiente para dar aos físicos assunto para anos de estudo, que eles esperam que vai ajudar a entender porque e como o universo foi formado.

“Essa temperatura é alta o suficiente para derreter protões e neutrões”, disse Steven Vigdor, do Brookhaven, em uma entrevista colectiva num encontro da Sociedade Americana de Física, em Washington, na segunda-feira de 15 Fevereiro 2010.

Origem do universo

Essas partículas formam átomos, mas elas próprias são formadas por componentes menores chamados quarks e glutões.

Os físicos buscam agora minúsculas irregularidades capazes de explicar porque é que a matéria se acumulou nessa sopa quente primordial.

Eles também esperam usar seus achados em aplicações mais práticas – como no campo da “spintrônica”, que tem como objectivo desenvolver peças de computador menores, mais rápidas e mais potentes.

Eles usaram o Colisor Relativístico de Iões Pesados (RHIC), um acelerador de partículas com 3,8 quilómetros de comprimento e que está a 4 metros abaixo do chão em Upton, em Nova York, para colidir iões de ouro biliões de vezes.

“O RHIC foi projectado para criar matéria nas temperaturas encontradas inicialmente no universo antigo”, disse Vigdor. Eles calculam que a temperatura de 4 triliões de graus se aproxima muito disso.

O centro do nosso Sol mantém-se a 50 milhões de graus, o ferro derrete a 1.800 graus e a temperatura média do universo é actualmente de 0,7 graus acima do zero absoluto.

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